Ofício de Palavras
Ao longo dos anos, por
“Oficio”
li e reli os textos mais diversos
dos autores anônimos e consagrados.
Li os poemas ciganos, li dos Vedas
a
Linguagem dos Pássaros...
Convivo ainda com inúmeros versos.
Mas, tem um poema em especial
que tento decorar a muitas décadas.
Vive por ronde-ar-me feito um “Ser
Alado”
mítico e furtivo... Ele faz-se fuga
quando tento
alcança-lo... Refuga
do alcance táctil, do manuseio
literário.
Nunca gravo a sua celeste ideia
original...
Sinto-o tênue roçando meus ombros
mas não compreendo por onde se
escapa!
Parece que flutua na “Quarta Margem...”.
Visto que; a “Terceira...” é o fundo Abissal.
Tento em vão chama-lo de: “Meu
Amigo”!
Mas o Ser Simples, não aceita
minhas prendas.
Justo é, que nos encontramos por inusitados.
Vestidos de espantos e cordialidade...
Permanecemos nos fitando em Silêncios.
Noto sempre que Mudou! Ali, Mudo também!
Assumo uma verdade de leitor e alfarrábio.
Nossas Miragens falcoeiras nos
levam Além...
Afeiçoamo-nos à osmoses
de Infinitos...
Dividimos breves lapsos de um
conluio.
Não existe corpo ou tato! É Étimo!
Grafias primordiais de
entendimentos...
Sutilezas diluídas em gestuais de Águias.
Sinto-me Inteiro, mais Humano, Liberto...
No Poema que ausculto, a Poesia
segue Signos
de afluentes ancestrais. É
Fabulosa!...
Livre! Não detém-se por rimas ou facilitações...
Em seu corpo aéreo, as palavras quintuplicam
à medida que, nós sub-entendemos a Primeira...
Germinam quais fagulhas de explosão atômica!
Destarte, fagocitam as ignorâncias humanas
com luminescências de Zênite... E Brilham!
Primando à Pureza nas Silabas
da Vida...
O
Poema é um Infinito!
Às vezes, Ele se auto-Publica Colorido
nos semblantes das crianças
brincantes...
Igualmente, se auto-rubrica
ungido
nos silêncios das Anciãs viandantes...
Transita por entre analfabetos de
carteira,
e acompanha loucos de fim de feira.
Dorme numa marquise! E desperta lindo
em outra Galáxia cercado de Crisântemos...
Sobretudo; o Poema é um Fugitivo!
Não sei seu nome... Sei que nos
Amamos.
Arlequim de Rua
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