terça-feira, 17 de novembro de 2015


        Ofício de Palavras

Ao longo dos anos,  por  “Oficio”
li  e  reli  os textos mais diversos
dos autores anônimos e consagrados.
Li os poemas ciganos,  li dos Vedas
a  Linguagem  dos  Pássaros...
Convivo ainda com inúmeros versos.
Mas, tem um poema em especial
que tento decorar a muitas décadas.
Vive por ronde-ar-me  feito um “Ser Alado”
mítico e furtivo...  Ele faz-se fuga
quando  tento  alcança-lo...  Refuga
do alcance táctil,  do manuseio literário.
Nunca  gravo  a  sua celeste  ideia  original...
Sinto-o tênue roçando meus ombros
mas não compreendo por onde se escapa!
Parece que  flutua na “Quarta Margem...”.

Visto que;  a “Terceira...” é  o  fundo  Abissal.
Tento em vão chama-lo de:  “Meu Amigo”!
Mas o Ser Simples, não aceita minhas  prendas.
Justo é,  que nos encontramos por  inusitados.
Vestidos  de espantos  e  cordialidade...
Permanecemos  nos  fitando  em  Silêncios.
Noto sempre que Mudou! Ali, Mudo também!
Assumo uma verdade  de  leitor e  alfarrábio.
Nossas  Miragens falcoeiras  nos levam Além...
Afeiçoamo-nos  à  osmoses  de  Infinitos...
Dividimos breves lapsos de um conluio.
Não existe corpo ou tato! É  Étimo!
Grafias primordiais de entendimentos...
Sutilezas diluídas em  gestuais de Águias.  
Sinto-me Inteiro, mais Humano, Liberto...
No Poema que ausculto,  a Poesia segue Signos
de afluentes ancestrais. É Fabulosa!...
Livre!  Não  detém-se por rimas ou facilitações...
Em seu corpo aéreo, as palavras  quintuplicam
à medida que,  nós sub-entendemos  a  Primeira...
Germinam quais  fagulhas de explosão atômica!
Destarte,   fagocitam as ignorâncias humanas
com luminescências  de  Zênite... E  Brilham!
Primando à  Pureza  nas  Silabas  da Vida...
O  Poema é um Infinito!
Às vezes,  Ele  se  auto-Publica  Colorido
nos semblantes das crianças brincantes...
Igualmente,  se  auto-rubrica ungido
nos silêncios das Anciãs  viandantes...
Transita por entre analfabetos de carteira,
e  acompanha  loucos de fim de feira.
Dorme numa marquise!  E  desperta  lindo
em outra Galáxia cercado de Crisântemos...
Sobretudo; o Poema é um Fugitivo!
Não sei seu nome... Sei que nos Amamos.

                                                          
                                                                                Arlequim  de  Rua