segunda-feira, 9 de novembro de 2015

foto: Lucas Ink - Paraty






   Pela   manhã. . .

Depois  do último temporal.

Passou um homem vendendo raios,

Relâmpagos  e  um maço de trovões.

Meu pai gostou dos Raios.

Eu desejei um lindo Relâmpago!

Mas minha mãe, já cheia de trovões. . .

Não nos deixou ficar com nenhum.

E  lá  se foi  o homem  atemporal.

Cada um vende o que tem sobrando.

Ainda  hoje, penso no lindo Relâmpago!


Mas guardo  -  é  medo dos trovões.



                                                                        Arlequim  de  Rua




   Loteria da Vida


O homem seguia os jogos,
Seguia galos, e cavalos.
Dormia com os dados...

Dizia:  " que jogatina era
passatempo de ociosos,   fracos."

No entanto, riscava volantes
como quem faz “Gol de Placa”.
E dos muitos mil espelhos
não jogava nenhum.  Nada!
Não gastava em sortes uma pataca.
Mas  vibrava...  Conferia a todos,
um  a  um  avidamente!  Afoito!
Depois,  saia dizendo aos amigos:

 “ -- Não foi desta vez!  Errei por pouco!"                                         
Riam...  Já sabiam da lorotagem.  

Mas um dia ele brincou...   E  fez!
Tudo no mesmo dia  e  tempo.
Mega, bicho, quina, cavalos, federal... 
Os números caíram da Cabeça do Além!
Ele ficou horas no sofá…  sem fôlego (!!!) .                           
Tinha passado a vida sonhando aquilo.

Estava pálido!  Nulo...   Sentia  abalos!
Quando o coração voltou à prorrogação,
chorou feito torcedor.  Ali  perdeu a taça!
Perdera  a Copa da Vida..  Perdeu a Graça.
Agora:  sem camisa, sem torcida  ou Ação. . .
Apenas o Vazio. Silêncio no estádio da sala.
Nenhum amigo chutaria a bola,  uma furada!
Sentia-se fora de qualquer  time de botão.
Deixou de fazer advinhas,  deixou  as troças.   
Não viu mais jogos. Não visitou lotéricas.
Nem games,  nem panelas de pipocas.
Não patrocinou mais a infame coca-cola.
Acostumou-se às novelas de fofocas!

Ouviu depois; impassível! 
                       Alemanha (7X1) Brasil.

Nada o demovia de sua humilhante derrota.
Um certo dia,  lhe  tocou as costas
uma mulher que vendia cartelas de rifa...

Deu por fé!  Paixão a  primeira vista!
Ele falou sobre a Sorte, probabilidades...
Aritméticas... E da Magia das Apostas!
Domingo último, saiu na quermesse. No Bingo
eles ganharam um gordo frango assado.
Ah! E,  um grande bicho de pelúcia...


                                                      Zebra!!!


                                                          Arlequim  de  Rua




Nos  Domínios  da  Poesia


Poesia   enquanto   Poesia

Não  é  propriedade  da  Palavra.

Poesia  é   Domínio  da  Poesia,

Domínio  Público  das  Crianças

Domínio  Público  dos  Pássaros

Domínio  Público  das  Borboletas

Domínio  Poético  dos  Cegos

Domínio  Poético  dos  Loucos

Domínio  das  flores  flamboyants

Domínio  dos  Pés  de  Pêssegos

Domínio  dos  Ventos  nos  Coqueiros.

Poesia    enquanto   Poesia


É   Prosperidade   do   Fascínio…



                                                                    Arlequim  de  Rua






Bem-vindas
Todas   as  Palavras
Lidas             Ditas
Ouvidas     Escritas
E  Vividas.

Benditas
Todas   as  Palavras
Escassas   Restritas
Amalga  mas
Restituidas   e   Aceitas.

Bem   Quistas,
As  quantas  Palavras. . .
Cristalíneas Intuídas
situada  que  Mãntras. . .
Silenteciam,  se  Perfeitas.




                                                 Arlequim  de  Rua