Loteria da Vida
O homem
seguia os jogos,
Seguia
galos, e cavalos.
Dormia
com os dados...
Dizia:
" que jogatina era
passatempo
de ociosos, fracos."
No
entanto, riscava volantes
como quem
faz “Gol de Placa”.
E dos
muitos mil espelhos
não
jogava nenhum. Nada!
Não
gastava em sortes uma pataca.
Mas
vibrava... Conferia a todos,
um
a um avidamente! Afoito!
Depois,
saia dizendo aos amigos:
“
-- Não foi desta vez! Errei por pouco!"
Riam... Já sabiam da lorotagem.
Mas um
dia ele brincou... E fez!
Tudo no
mesmo dia e tempo.
Mega,
bicho, quina, cavalos, federal...
Os
números caíram da Cabeça do Além!
Ele ficou
horas no sofá… sem fôlego (!!!) .
Tinha
passado a vida sonhando aquilo.
Estava
pálido! Nulo... Sentia abalos!
Quando o
coração voltou à prorrogação,
chorou
feito torcedor. Ali perdeu a taça!
Perdera
a Copa da Vida.. Perdeu a Graça.
Agora:
sem camisa, sem torcida ou Ação. . .
Apenas o
Vazio. Silêncio no estádio da sala.
Nenhum
amigo chutaria a bola, uma furada!
Sentia-se
fora de qualquer time de botão.
Deixou de
fazer advinhas, deixou as troças.
Não viu
mais jogos. Não visitou lotéricas.
Nem games, nem panelas de pipocas.
Não patrocinou mais a infame coca-cola.
Acostumou-se às novelas de fofocas!
Ouviu depois; impassível!
Alemanha (7X1) Brasil.
Nada o demovia de sua humilhante derrota.
Um certo dia, lhe tocou as costas
uma mulher que vendia cartelas de rifa...
Deu por fé! Paixão a primeira vista!
Ele falou sobre a Sorte, probabilidades...
Aritméticas... E da Magia das Apostas!
Domingo último, saiu na quermesse. No Bingo
eles ganharam um gordo frango assado.
Ah! E, um grande bicho de pelúcia...
Zebra!!!
Arlequim de Rua
Arlequim de Rua
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